RETRATOS DE UMA TARDE 2

Um cachorro passeia pelas pavimentadas ruas em busca de um objetivo. Observador como sou fico a espreita, então ele se joga na areia e adormece. Por um segundo queria está na pele dele e por outro não e não sei como explicar. Uma filha que veio visitar o pai ontem se despede hoje e posso sentir em seu rosto a saudades que ela deixa.

Um carro de boi atravessa o som da minha memória e a primeira coisa que me vem em mente é alguém que me deixou com o mesmo sentimento do pai, parecido aliás. Dor.
Vivo de ciclos paralelos, sem lugar algum. Ja me vejo circundando por algo que não escolhi.

Vento forte e sol castigando todos em sua volta com seu jeito simples de ser, algo muito mais do que os olhos podem ver. Estais até calmo agora, a suavidade do calor é algo inesquecível e nostálgico. Jamais deverás se prender ao passado.

O cachorro acorda e late para alguém. O que será que estais dizendo? Ele sente o mesmo que eu, uma maneira diferente para ser ouvido. Ao contrário posso falar e doravante escrever sobre o miserável, estais morto acredito. Um impacto comovente aos lábios meus. Queria poder correr como antes e falar como antes, minha maneira muda. Olhares. Póstumas.


WLIELTON MARTINS